30/04/2015

Ser mãe é dose

Dia 3 é Dia da Mãe e sempre soube que não seria tarefa fácil. Ainda me faz confusão ver fotos de mães "fashion" com filhas de folhos e tutus, quando a minha realidade é filha de calças de ganga, "Converse All Star" e túnicas leves.
Gostava de a ver de folhos e tutus, mas não sou dona da Unilever para ter Skip, Vanish e Lixívia à borla. É lixado tirar manchas de papaia e comida dos folhos, algodões mercerizados e tutus.
Se há coisa que desejo incutir nas minhas filhas é o valor por aquilo que têm, não quero ter duas tiranas, ditadoras ou divas cá por casa. Para mim este valor deve vir do berço, não quando elas terão idade para compreender, porque "coitadinhas ainda são muito novinhas para perceber essas coisas". Qual é a idade então para perceber o quer que seja?
Desde o primeiro dia em que colocaram a L. nos meus braços, segui o instinto de mãe e fiz "ouvidos de mercador" aos "bitaites" das mães e pais "de bancada". Desde o "estás a criar manhas", "deixa chorar até adormecer que só faz bem", "muito colo faz mal", etc. A lista é longa e traduzida na minha óptica de mãe tudo se resumiu a "Blah, blah whiskas saquetas"!
Nunca quis projectar os sonhos que não realizei nos meus filhos, nem o irei fazer. A minha missão não é criar projectos à minha imagem e semelhança e sim dar força para que elas cumpram as suas metas e objectivos.
Contudo, sendo Mãe, quero o melhor para as princesas, dar uma educação com valor, sem materialismos e livre do que possa eventualmente prejudicar a sua saúde. Não tenho esse direito? 
Não gosto que ofereçam doces à minha filha, seja de que forma for. Zelo pela saúde, pelo bem estar e pelas contas do dentista. Se as puder evitar numa fase precoce, tanto melhor. Afinal quem paga o arrancar dos dentes, as visitas ao médico e as limpezas? Sou eu, não sou?
Não gosto que estraguem a minha filha (no futuro próximo filhas) com presentes só porque sim, porque é fofinho, porque é bom arrancar um sorriso naquela cara laroca. Numa sociedade consumista e materialista, é fácil deturpar os valores desde cedo, tornando uma oferta numa banalidade diária.
Os abraços, os passeios, as idas ao parque, as actividades em família são mimos gratuitos e mais produtivos. Fazem a felicidade de qualquer petiz! Mais tarde as minhas filhas terão essas recordações, das gargalhadas, do cheiro do colo, do calor dos abraços impregnados de amor e não os brinquedos, roupas ou sapatos.
E depois, quem aturará as birras da menina, só porque quer, porque está habituada a ter e só porque sim? Sou eu, não sou?
Nunca almejei ser uma Hetty Green como mãe. Deus me livre de tal coisa! Mas ser Mãe é ser o meio entre o oito e o oitenta, a virtude ou a linha do Equador. Este é o meu workout diário.
A minha L. está prestes a fazer três anos e entrou na fase pirosa. Pede-me o chapéu da Minnie, as cuecas da Minnie, os laços da Minnie, os pratos da Minnie, o sabe-se lá da Minnie.
A minha vontade era de lhe dar tudo e arrancar aquele sorriso na cara fofa e gostosa, a mais bonita do mundo, mas não o faço. Porque a minha tarefa como mãe é educar, não é estragar, nem mimar, nem criar uma criança para o mundo com a percepção que tudo lhe chega de bandeja, somente porque ainda nem metro e meio de altura tem.
A T. está prestes a nascer e apetece-me comprar tudo o que não comprei para a mais velha na primeira gravidez, mas também compreendo que poderá resultar em ciúmes da parte da L. Vou reciclando roupa e sendo mais modesta nas compras. Continuo a achar que existem mais cores além do rosa para meninas...
Também não acredito na velha história de que se deve dar prendas às duas, para evitar ciúmes. E no dia em que não puder oferecer o quer que seja às duas meninas e apenas individualmente? Não será pior? Quem passará por isto? Sou eu, não sou?
Quero que cada uma das minhas princesas tenha o seu espaço individual como ser humano, que não sejam cópias, que não se vistam de igual, que uma não vá atrás da outra somente pelos laços de sangue ou pelos apelidos que as unem. A L. é a L. e a T. será a T.! 
É difícil ser mãe, controlar as lágrimas quando me sinto em baixo, para que a L. não veja que a mamã não está bem. Por norma, o W.C. é o local para abrir a torneira e aliviar as hormonas.
É difícil ser mãe e incutir positivismo na minha filha, quando cresci a ouvir constantemente "não consegues", "não és capaz", "não estás à altura do evento" ou "não fazes parte".
É difícil ser mãe e colocar limites e regras na alimentação ou no dia-a-dia da bonequinha, quando tens opiniões e quando pessoa "X, "Y" ou "Z" vêm por trás e fazem tudo ao contrário. Isto lixa o meu cérebro com "F" grande, há que ter estômago de aço e fazer ver o alfabeto que nos rodeia, o que quero para a menina. 
Será difícil ser mãe de duas meninas, quando uma ainda está dependente da mãe e a mais pequena terá todo um percurso para fazer até se tornar autónoma.
Mas não viro a cara à luta, pois Mãe não desiste.
É dose ser Mãe, mas não é impossível e bem ou mal, vou trilhando este percurso lado a lado com a minha filha, se não vamos pela auto-estrada, a Marginal também serve ou mesmo a estrada interior. O fundamental é estarmos de mão dada!
O que a mãe diz é sagrado e devia estar a porta de casa tal qual "Lei das XII Tábuas" (para quem estudou Direito Romano), seja certo ou errado na óptica dos outros. Cabe a mim discernir o que é melhor para as minhas filhas e se a vida me demonstrar o contrário, tiro partido da lição na simplicidade da utilidade do erro.
Porquê tudo isto?
"Because I am the Mom, simple as that!"




4 comentários:

  1. Sou Mãe de um rapaz por isso a parte dos folhos, laços e algodões mercerizados não existiu. Existiram alguns devaneios, sim, mas acho que com conta peso e medida. Mas percebo o que dizes e concordo a 100%. O meu filho é filho único (se bem que do lado do Pai tem dois irmãos) e quando olho para trás acho que temos feito um bom trabalho. Há pedinchices, claro que há, há uma horda de gente a dizer como e o que fazer. Há a pressão - que não é dirigida a ti, mas que acabas por considerar que até é para ti - do mundo lá fora seja em blogues, conversas, eventos, o que for. É dificil manter o foco no que sabemos que está certo para eles, mas o resultado é muito compensador. Revejo-me em muito do que dizes apesar de já ser mão há 13 anos. As caras mudam, mas os dedos apontados continuam todos. E olhar à volta e ver criancinhas todas iguais, a fazer o mesmo, o que é isto? Afinal não é suposto ensinarmo-los também a serem diferentes, a puxarem pela cabeça? É um trabalho duro sim, mas não me arrependo de ter assinado o contrato! ;)

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    1. Eu também não me arrependo.É duro mas gratificante. Adoro a minha filha, mas quero que ela tenha certas regras e pontos de valor.

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  2. Amei o texto =)

    Beijos e já estou seguindo

    http://www.blogdajoanna.com/

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    1. Obrigada!

      Eu também já sigo o seu blogue.

      Bjs

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