06/04/2015

Açúcar e mais açúcar


Anda muito falatório pelas redes sociais à conta da reportagem da SIC "Somos aquilo que comemos" e a reportagem da Dr.a Julia Galhardo à Visão.
De repente tudo acordou para a vida, como se estivessem profundamente alheios aos males que o açúcar traz a todos nós se consumido desde tenra idade.
Não fiquei paranóica, nem ando a inspeccionar rótulos ao pormenor, mas fiquei com consciência de certas realidades e chocou-me saber de crianças que aos 12 anos sofrem de hipertensão e diabetes tipo 2.
Eu adoro doces e tudo o que basicamente faz um mal terrível à minha saúde, nesta gravidez então nem se fala, à conta das fomes loucas que tenho. 
Aos 17 anos tive uma complicação de saúde e a terapêutica do médico foi basicamente comer tudo o que era doce. Não sei se fiquei viciada, mas ainda hoje não resisto a um bom chocolate para mal da minha saúde.
Em relação à minha filha, desde pequena que sempre fui um pouco exigente em relação ao sal na comida e ao açúcar. O pediatra dela também é apologista desta prática e a mesma coisa com a medicação. Acho que em quase 3 anos nunca o vi receitar o quer que seja sem ser Ben U Ron. Só em casos muito extremos é que toma antibiótico e moderadamente. Felizmente, a minha pequena adora fruta e come de tudo o que há no menu! Agora anda com a fobia dos vegetais, mas o talho onde a minha mãe compra a carne tem a bela ideia de fazer hambúrgueres de frango com espinafres, hambúrgueres de peru com cenoura (o que é uma boa alternativa) e eu ando com umas ideias de fazer purés de vegetais a ver se ela retoma o hábito que sempre teve desde pequena, de comer ervilhas, feijão verde, cenouras etc.
No que toca aos doces, aí a conversa é outra. Sinceramente? Evito ao máximo dar-lhe gomas, chocolates, bolachas recheadas e arrepio-me quando vejo aqueles saquinhos dos aniversários carregados de porcarias. Quem é que dá isto a crianças de 2 e 3 anos? Ela traz o saco para casa, mostra-me e conversamos as duas. Vou dando o conteúdo do saco aos poucos e chupa chupas,nem pensar.
Depois sou apelidada de nazi, que sou uma má mãe, que não deixo a criança "saborear a vida", que não posso ser assim e uma série de enxorrilhos. Não quero saber, pois a filha é minha e eu educo à minha maneira e em concordância com o meu marido. Não são os outros que um dia mais tarde poderão vir a pagar a factura do dentista ou do médico. Somos nós!
Não a proíbo totalmente, mas prefiro que ela coma um doce por semana, ao sábado, em dias de festa ou muito esporadicamente.
Há umas semanas atrás, uma jovem na casa dos vinte anos, confidenciou que aos 6 anos teve de desvitalizar os dentes à conta das cáries que tinha porque era viciada em doces. Era a única forma de comer, se recebesse doces em troca.
Aqui faz-me espécie de ouvir aquelas expressões "ah e tal se comeres dou-te uma surpresa", " se não comes a papa, não comes chocolate", "não te portas bem, não te dou um chocolate". Então mas a refeição é um prémio? O bom comportamente tem de ser premiado com chocolates ou o quer que seja?
O problema não é em casa, mas às vezes meter na cabeça da minha mãe que não lhe pode dar gomas, Oreos ou outras porcarias quando a neta vai lá a casa é uma tarefa muito complicada. O pior é que ela faz às escondidas e a minha filha "mete a boca no trombone" quando está comigo. Já falei a bem, a mal, já berrei e nada surte efeito.
Quando a L. andava aflita das gengivas, pela minha mãe tinha a chucha mergulhada em mel ou açúcar para acalmar a miúda. 
Os meus sogros têm outra postura, pois converso com eles e eles aceitam, prefiro mil vezes que lhe levem um tupperware com fruta,queijinho ou um pacote de leite com bolachas quando a vão apanhar ao colégio. 
Mesmo quando lhe querem dar uma barrita Kinder ou algo mais doce, dão a mim ou explicam-lhe que vão dar à mamã e eu assim faço. Guardo e dou-lhe nos dias permitidos.
Estou a pensar a começar a erradicar o açúcar cá de casa, não totalmente, mas aos poucos, por mim e pela minha família.
Já proibi a Coca-Cola cá em casa e os sumos gaseificados. É das coisas que mais gostava e tenho mesmo feito um esforço hercúleo para não beber ou beber um copo em miniatura quando o rei faz anos. Mal bebo, sinto logo a gaiata aos pontapés non stop. Já a vi aos soluços numa ecografia e para mim foi o suficiente.
Ontem no dia de Páscoa, o meu marido trouxe uma garrafa algumas garrafas para meu terror e já lhe disse que aquilo tinha validade de um dia e que após esse dia ia pela pia abaixo.
As infusões sem açúcar ou as águas frescas mexicanas, parecem uma opção viável, especialmente para mim que não aprecio água e devia estar a beber pelo menos 2 litros por dia.
No que conta aos pães de leite, que todos gostamos cá em casa, vou retomar um hábito que a minha mãe tinha antes do meu pai falecer, de os confeccionar em casa. São mais saudáveis e ao menos sei o que meto lá para dentro.
Os iogurtes, ainda não testei fazer na Bimby mas vou experimentar e ver se a pipoca aprova. Dá para poupar uns belos trocos com os senhores da Danone. Eu sei que o que é nacional é bom, mas se calhar o que vem da mão da mamã ainda será triplamente bom.
A mesma coisa com as bolachas, sabem muito melhor e é uma maneira divertida de passar o tempo, quer sozinha, quer com a minha filha. Tenho aqui uns cortadores com a cara da Minnie e do Mickey que ela adora.
No aniversário dela, vou adoptar a mesma postura que vi no ano passado da parte da mãe de um dos colegas. Um pacote de leite simples, bolachas caseiras feitas por mim, um brinquedo ou um livro.
Não é fácil largar tudo de uma vez, mas a partir de hoje vou fazer um esforço para mudar os produtos na minha despensa.
E vocês? Concordam com a entrevista? O que acham desta conversa toda à volta do açúcar?



2 comentários:

  1. Ainda não vi a reportagem mas concordo com tudo! Agora que olho para a minha infância, sei que mal comia vegetais e só metia porcaria pela boca abaixo várias vezes ao dia - e os meus pais deixavam!

    Certamente vou incutir melhores hábitos nos meus filhos e não acho nada um estilo de vida restritivo: quando quiserem "emagrecer" ou não ter celulite ou simples conseguirem subir dois degraus sem desmaiarem, vão agradecer aos pais!

    Rita : http://agora-aserio.blogs.sapo.pt

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  2. Concordo perfeitamente contigo, mas estamos muito "tapados" em relação a bons hábitos alimentares.

    Bjs

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