25/10/2014

Pessoas Tóxicas



Não me venham dizer que tem a ver com o facto de sermos portugueses, que a nossa alma clama pelo fado e pela tristeza.
A mim entristece-me pessoas que passam a vida a reclamar, nada chega, nada é suficiente, o trabalho não presta, estar no desemprego é desesperante, se ganham demais não chega, se ganham de menos não chega, a culpa é da crise e o discurso é o mesmo seja qual for o governo em regime, se o horário é fixo é porque é monótono, se os horários são rotativos é porque não há tempo para nada.
Se estão num patamar abaixo do chefe, são escravos, o chefe é um filho da mãe ou é mole de mais, se são chefes a pressão é extrema, as tarefas acumulam, porque a equipa só dá dores de cabeça e porque agora que sou chefe quero ser mais do que os meus colegas e a prioridade é apontar o holofote só para mim,tentar lixà-los a qualquer preço, porque a escada profissional é sempre a subir e há que fazer pela vidinha, mesmo que signifique não ter espinha dorsal.
Esquecem-se que a escada pessoal deve ser a descer,que o patamar da humildade é de baixo para cima e não o oposto.
Este tipo de pessoas nunca estão bem e como se não bastasse além de terem reclamantes na boca, gostam de contaminar os que os rodeiam, porque se eles não estão bem, os outros também não têm direito de estarem felizes e satisfeitos. Onde é que já se viu?
Estão mal habituados, não praticam o tiro ao alvo às soluções mas adoram ruminar problemas até à exaustão.
Também por norma costumam ser cobardes à espera que o outro lhes resolva o problema e das duas uma, ou o outro é culpado da resolução - que é uma desgraça- ou fantasiam e espalham que tiveram de por os pés à parede para que a situação fosse resolvida. Porque são uns "bad ass".
Já nem vou falar da parte da vitimização pois coitadinhos, tudo lhes acontece de mau na vida e a culpa nunca lhes pertence.
Hoje em dia, parece que os adultos viram crianças de dois anos, fazem birra e finca pé para terem o que querem.
Longe vão os tempos em que conhecia pessoas que se esforçavam para alcançar objectivos, que não viravam a cara à luta e arregaçavam mangas quando as dificuldades de avizinham.
No outro dia estava em casa dos meus tios e a irmã da minha tia estava a reclamar (isto num debate com o meu esposo sobre o facto dos funcionários públicos trabalharem 40 horas), que mal tinha tempo para os filhos porque chegava às sete da noite em casa. Eu nem abri a boca a pensar nas vezes que chego quase às nove. O pai, homem do campo, alentejano de gema responde-lhe muito humildemente. "Oh,filha, no meu tempo eu e a tua mãe saíamos para o campo às cinco da manhã e só metíamos os pés em casa às dez da noite. E ninguém morreu!".
Gostava que o mundo se virasse mais para workshops de "como-ser-uma-pessoa-positiva-e-humilde" em vez dos "sumos-detox". Se bem que gostava de ter uma receita de sumo verde para descontaminar estas pessoas do seu negativismo, da sua toxicidade e do prazer que têm em "minar" os cérebros alheios.
Às vezes faço este exercício, quando alguém se aproxima de mim e chora baba e ranho as amarguras da sua vida,normalmente pergunto o que é que essa pessoa já fez para solucionar os problemas, se estabeleceu prioridade e juro que por momentos oiço grilos no espaço dado à resposta.
Quando insisto na resposta, só oiço problemas e mais problemas. 
Tinha um ex-namorado que era auditor numa das maiores empresas do país e que pedia sempre que lhe trouxessem um problema acompanhado de uma ou mais possíveis soluções. 
Adoptei esta postura, por muito que me custe ou que custe dize-lo a estas pessoas que somente vêm o vermelho na vida.
Por um minuto, gostaria de ouvir um "obrigada pelo meu trabalho", "obrigada por ter um salário ao final do mês", "obrigada pelo dom da vida", "obrigada pelos meus amigos", "obrigado pelos meus filhos", "obrigada por ter uma família (funcional ou não).
Será demais pedir pensamento positivo?
Se não for o meu desejo será uma "Clinica Betty Ford" para mandar estas alminhas descontaminar os seus cérebros de uma vez por todas.


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