28/09/2014

Amigos, amigos...

Nunca me dei ao trabalho de contar os "amigos" que tenho na lista do facebook. Curiosamente, alguns deles têm 160 amigos, 66, 53 ou apenas dois amigos em comum comigo.
Eu tentei contar pelos dedos da minha mão e já existiu o tempo em que conseguia chegar ao dedo mindinho, mas à medida que os anos vão pesando, consigo contar amigos pelo menos do polegar até ao dedo médio e fico-me por aí.
Gosto de falar com esses amigos, sabendo que tem o peso de uma Confissão, que o assunto morre ali, que não existem comentários, que independentemente da gravidade da situação o apoio existe, sem julgamentos.
Também os meus anos aprenderam a "topar" que aquele cliché de que os amigos são para as ocasiões é um cliché com quilos de verdade e eu parva continuo a tombar vezes sem conta, recalcando o cliché, porque afinal os amigos não são apenas para certas ocasiões, são para todas as ocasiões, se forem amigos verdadeiros.
Os meus amigos, não evangelizam a minha vida aos quatro ventos, não tecem comentários, nem opiniões ou fazem de mim tópico de debate com terceiros e quartos.
Existe um provérbio português que diz o seguinte: "Quem conta um conto, aumenta um ponto." Eu refiz este provérbio, alterando-o para a seguinte forma: "Quem conta um conto, aumenta um ponto e depois há quem faça bilros."
No meio onde estou, existe sempre o espirito de fofoca, por vezes é impossível tapar os ouvidos e não participar. 
O exercício que tenho feito é o de ouvir, não interiorizar, não julgar, colocar-me nos sapatos do outro e não tecer juízos de opinião precipitados.
Se um amigo meu tem uma situação complicada e toma uma decisão que vai contrária ao que eu teria feito, eu simplesmente aceito e dou o meu apoio. 
Aprendi-me a fechar, a deixar o espalhafato e a ser "low profile", aquele "profile" que eu nunca tive ao longo da vida, a saber que a minha abertura ao próximo deve ser feita a muito pouca gente, aprendi que posso ter multidões à volta, muitos graus de parentesco, roteiro social, sorrisos e beijinhos, não  significa ter amigos.
Aprendi a não deixar-me abater se um amigo me decepciona, aqueles ditos amigos que me rondam durante dias, meses, anos para conseguirem os seus objectivos, usando-me como uma Gillette Venus daquelas que vêm em pacotes de oito e após isso fingem não me conhecer ou já não querem interacção. Haverá algo melhor do que a queda da máscara?
É estúpido ter esta consciência à luz dos 34 anos de vida, talvez a consciência venha com algum atraso ou no meu caso, em tempo apropriado.
Sempre fui vista como uma menina frágil, apesar do meu bom amigo M. dizer que eu sou uma mulher forte com uma capacidade de encaixe que poucas mulheres têm.
A força recebo-a de Deus, da Sua palavra e das palavras destes amigos que são o meu apoio nos momentos mais difíceis da minha vida. 
Sei que neles posso confiar, sei que com eles posso sempre contar, independentemente das opiniões ou das nossas vidas, crenças serem divergentes.
Não quero envolver religião, porque a minha educação não mo permite discutir, somente dar testemunho, mas se eu não tivesse Deus, a Oração ou a Comunidade onde estou inserida, não sei sinceramente o que seria de mim. 
Em relação aos meus amigos, aqueles que conto do polegar ao dedo médio, sei que com eles posso contar, que posso estar tranquila e que são um apoio em tempos difíceis ou em tempos de fartura.




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