23/01/2014

Praxes

Não vou dissertar sobre o "maravilhoso" mundo das praxes mas existem comentários aos quais não consigo ficar indiferente.
Estava a ver uma notícia sobre os estudantes que morreram na Praia do Meco e oiço uma criatura, -desculpem mas não consigo usar outro termo -  a dizer que as praxes são muito importantes para a vida do ser humano pois incute o respeito pelos mais velhos e pela hierarquia.
Eu ouvi bem?
Que raio tem esta juventude na cabeça? A educação e o respeito pelos outros dá-se em casa, não na escola, numa universidade ou outra instituição.
Hoje de manhã vinha a conversar com o meu chefe sobre isto e em tom de brincadeira, disse-lhe que iria propor ao departamento de RH da empresa a implementação de praxes nos processos de recrutamento.
Eu tenho 33 anos e fui educada com regras do inicio de século, visto o meu pai ter nascido em 1912 e a minha mãe em 1938 e como podem adivinhar foram regras muito rígidas.
Quando ingressei no 7. ano, quase fui "praxada" e só não aconteceu porque o meu irmão mais velho era o "Padrinho" da escola e ninguém se atreveu a tocar na "baby sister".
O meu irmão sénior era famoso no Liceu de Oeiras pelas suas praxes, como o "Boneco de Neve" e nem vou comentar ou descrever o que consistia a praxe, mas incluía espuma de barbear, uma cenoura e outros acessórios como algemas e o poste da bandeira do Liceu.
Não tive hipótese de estudar numa Universidade ou viver o espirito académico que tantos meninos e meninas defendem por aí e o qual não abdicam por nada deste mundo.
Só estudei um Semestre de Direito em regime pós-laboral e tive de congelar o curso, quando comecei a trabalhar no projecto onde actualmente estou.
A Universidade onde estava tinha tradição de praxe e lá por sermos caloiros do curso, o respeito pelos anos era muito, tanto que novamente quase fui "praxada", possivelmente pelo meu ar de garota e não fui, quando os alunos se aperceberam que eu estava em regime pós-laboral.
O meu marido, foi o Presidente da A.E da faculdade onde estudou e instituiu a praxe, mas tudo nos trâmites do respeito e até hoje a tradição por ele criada, mantém-se.
O respeito não se ensina em praxes, ensina-se em casa!

Para terminar a piada do dia.

Pepper: Epah... o responsável (Dux) pelas praxes do Meco continua fechado em copas.
Boss: Não foi nada disso ele fechou-se em Duques.



4 comentários:

  1. Olá!
    Fui recentemente nomeada para o Liebster Award, uma forma de reconhecimento de blogues sobretudo em língua inglesa, mas resolvi escolher apenas blogues portugueses.
    Cada blogger escolhe 11 blogues com menos de 200 seguidores e nomeia-os como as suas escolhas e eu coloquei este na minha lista de preferidos.
    Mais pormenores no meu post em http://apipocaarrumadinha.blogspot.pt/2014/01/liebster-award-no-blog.html.

    Cumprimentos

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  2. Um assunto muito sério que deveria ser legislado.

    As praxes são rituais primitivos.
    Não percebo porque pessoas ditas civilizadas não abandonam tradições pré históricas.

    Não sou radical, mas estas coisas fazem-me confusão.

    Um beijinho

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  3. Se considerarmos praxes como pequenas brincadeiras para integração dos novos estudantes acho aceitável, agora segundo o que se diz que se passou com esses jovens não pode ser considerado praxe, mas antes um abuso.

    Para mais sempre me ensinaram que se alguém me disser para atirar da ponte que não tenho de o fazer, portanto será mesmo que os estudantes também não se aperceberam que estavam perante um abuso?

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