09/01/2014

Dias como hoje envelhecem uma mulher

A familia acordou tarde e a más horas e eu preocupada em estar na Avenida da Liberdade às 11h para ir fazer o alisamento japonês.
A notícia da greve do metro de Lisboa deixou-me profundamente irritada, enervada e a ponderar nas mil e uma maneiras de chegar ao destino pretendido, até porque se ligasse no dia a desmarcar, perdia direito ao "voucher" e adeus dinheiro.
O Mr. Bu, que é um lirico de primeira dizia-me: "Vais de comboio até ao Cais do Sodré e depois apanhas um taxi ou o autocarro". Observação digna de quem não conhece o que é Lisboa em dia de greve do Metro, que equivale a autocarros da Carris transformados em latas de sardinhas e os Taxis candidatos a serem as últimas Coca-Colas do deserto.
O S. Pedro fez as pazes comigo e deu-me bom tempo, sem humidade acentuada e quando chego ao Cais do Sodré as portas do Metro estavam fechadas com um aglomerado de pessoas impacientes, tal qual Casino do Estoril no final do mês.
Eu já não tenho propriamente 18 anos para ir a pé até ao Rossio, e decidi esperar e ir vendo os emails do trabalho (ERRO CRASSO!)
O meu chefe escrevia a pedir-me documentos para serem entregues até às 12h00 em ponto e eu de folga e os ditos documentos fechados no meu armário à chave. (Alerta amarelo: Meu Deus, o pânico!)
Liguei oito vezes para o telemóvel do cabeleireiro para avisar que podia chegar atrasada. Ninguém atendia!(Alerta Laranja: O pânico já incluía bufar.)
As portas abriram e uma série de pessoas entraram pelas galerias do Metro a reclamar com os funcionários pela greve e que o Metro lhes fazia falta. A mim também fazia falta, mas o direito à greve é um direito dos trabalhadores. O concordar com isso é que já são contas de outro rosário.
Consegui chegar à Avenida da Liberdade a tempo e a horas e ainda estive cinco minutos à espera do senhor que me ia fazer o tratamento ao cabelo. Se estivesse aqui o Mr. Bu já diria algo como:" Vês? Valeu de alguma forma estares nessa pilha de nervos? O teu cabelo está tão Zen e liso que nem parece que te enervaste."
Com uma destreza, o Jonathan explicou-me a diferença entre escova, alisamento, as quantidades de formol, os prós, contras e preferi fazer uma "Escova Indiana" ao alisamento japonês.
Já tinha feito uma escova Purah no ano passado e o cabelo ainda mostrava alguns indícios de produto após o teste. 
O alisamento japonês é bastante agressivo e se um dia me quisesse livrar dele, só rapando o meu cabelo loiro cor de canela e isso estava fora de questão.
O Jonathan foi simpático, eficaz, despachado e ainda me fez soltar umas gargalhadas interiores com as conversas sobre o Nelson Ned com o colega do lado.
Fez uma série de recomendações, mas como sabia que eu ainda tinha um boião de máscara da "Purah" em casa, disse que se eu não aguentasse as 72horas que podia lavar suavemente o cabelo, desde que fosse um bom champô sem sal e aplicasse a dita máscara.
No meio de fumo de chapas e produtos o meu colega liga a "panicar" por causa dos documentos do chefe e como ele tinha a chave do meu armário, pedi para ver os encontrava. Não encontrou! (Alerta Vermelho: O pânico já incluía asneirada em Inglês. Os documentos só podiam estar no armário ou na mala do portátil que estava em... casa! Vou morrer, vou morrer, vou morrer! )
Mr. Bu ao mesmo tempo enviava mensagens a perguntar se já estava despachada.
Quando saio e vou fascinada pela beleza da Avenida da Liberdade, com bateria no iPhone a 23%. Bateria.... CAPUT! (Quais alertas? Estado de ebulição minha gente! Já tinha lágrima no canto do olho e praguejava contra os senhores da maçã à conta da bateria.)
Pensava eu que alguém tinha pregado uma partida de mau gosto, perguntava se merecia tudo o que me estava a acontecer ao mesmo tempo que salivava por uma bica quente. 
Consegui encontrar uma cabine telefónica e ligar para Mr. Bu que me foi apanhar. Abençoado marido!
Chego a casa, abro a mala do portátil. Nem sinais dos papéis. Pronto, morri de vez! Estou a ficar senil aos 33 anos. O Bu dizia :"Tens a certeza que estava aqui?" São documentos importantíssimos e ou  andam comigo ou estão fechados no armário, porque eu não brinco em serviço.
Quando abro o "chat" e peço aos colegas para irem com o colega que me ligou.
"Ah e tal afinal estavam lá!"  - (Pepper controla a língua e conta até 100 em Alemão. "Eins, zwei, drei, vier, fünf, sechs, sieben, acht, neun....")
Estou sentada no meu sofá a fazer tempo para ir para a aula de Alemão depois de um interregno de férias de Natal. Vai-me saber bem a aula, porque é o meu momento de descontração durante a semana.
Em relação ao cabelo,Mr. Bu gostou do resultado e eu também, pois ficou bem melhor que o da primeira vez.
A manutenção só em Maio mas não sei se volte a fazer ali, porque fica um pouco fora de mão e foi mesmo só para aproveitar o voucher. De qualquer maneira, já sei o que é mais adequado ao meu cabelo.
Acho que vou tomar ali um chá de Camomila, só por causa das coisas e ponderar num Botox, porque devo ter envelhecido um ano à conta de todo o "stress".

5 comentários:

  1. Beeeem isso é que foi uma correria das grandes!! Fico contente que no final tudo se tenha resolvido :D

    Beijinho*

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  2. Fiquei a transpirar só de ler isto!

    E lembrei-me de uma correria semelhante pela mesma avenida, também em dia de greve de metro, mas para chegar à faculdade a tempo de entrar para um exame! Subi a avenida toda a correr com carteira e pasta a tiracolo, era Inverno e quando cheguei lá acima à Alexandre Herculano transpirava em bica. Nem me quero lembrar.

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  3. Se quiser participar: http://apipocaarrumadinha.blogspot.pt/2014/01/passatempo-um-header-jeitoso.html seria bom.

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  4. caramba que até eu fiquei a bufar com a descrição!

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