15/04/2010

Entrevistas

Ontem tive uma entrevista ao final da tarde, lá fui eu, linda e airosa como manda a lei da boa etiqueta para uma entrevista. Confesso que não ia com grandes expectativas ou filmes na minha cabeça, porém não era ético da minha parte se faltasse, até porque para marcar a hora foi uma estória daquelas bem cabeludas.
Já ia com uma dor de cabeça do caraças, a chuva não me ajudou muito porque o meu cabelo reage à humidade como um metal a um íman.
Quando chego à empresa estendi a mão e recebo um aperto de mão à lula, sumido e fraquinho do senhor que me recebe. Blondie que é Blondie, dá um handshake como deve de ser e odeio que me apertem a mão como se fossem meninas. Aliás, eu sempre fui conhecida pelos meus apertos de mão cheios de personalidade e senhor emanou um semblante de ligeira dor. Não gostou que lhe tivesse espremido a mão? Azar...
Fui para uma sala saída de um filme de magnatas industriais e se aquela for a minha futura sala, meus amigos, acho que vou fazer ali umas decoraçõezinhas, porque painéis de madeira, chão de mármore e móvel "Companhia das Indias" é muito bonito mas num museu. Eu não sou mulher para usar fatinho preto e cartola como o senhor do Monopoly, muito menos mastigar tabaco ou usar relógio de bolso.
Pediram-me para sentar e assim o fiz e enquanto esperava ia preparando o meu discurso, tomei atenção para não colocar a mala em sítio visível, à postura das mãos e àqueles pormenores que qualquer pessoa repara como entrevistador.
A entrevista durou quatro minutos e foi algo do género: -"Tem habilitações literárias, tem experiência profissional e está tudo muito bem."

Pensamento: What??? Não perguntam mais nada?

Fiquei hora e meia a fazer testes e não foram psicotécnicos, pediram para redigir uma convocatória, um convite, uma carta em Inglês a um tipo que trabalhava em França (Esta adorei! Inventei uma morada e até meti lá o código do respectivo departamento Francês.), dois mapas em Excell, um para vencimentos e outro para contabilidade de um fornecedor que me matou a cabeça, até porque contabilidade faz-se num programa específico e quando existem recibos ou notas de crédito o Iva tem de ser arredondado para tudo aquilo bater certo. Deixei lá o recadinho obviamente.
Como sou mais curiosa que um gato, descobri tanta coisa naquele pc, até tinha acesso à Internet e foi uma ajudinha extra.
O problema da hora e meia nem foi o teor dos testes porque isso foi mais fácil que roubar doces a um bebé, foi uma ventoínha que emitia um calor contínuo e não pensem que é o calor do nosso Portugal, aquilo aproximava-se mais ao calor do Qatar às oito e meia da manhã em que a temperatura já são uns "simpáticos" 35 graus Celsius.
Saí de lá com uma dor de cabeça impressionante e com aspecto de quem tinha bebido uma garrafa de Marquês de Borba inteirinha (Tinto, claro!Porque branco é vinho para meninas).
Despedi-me do recrutador e juro tinha vontade de lhe dizer que aquilo não é um aperto de mão decente para um senhor. Sinceramente? Acho que o recado ficou dado quando lhe espremi os ossinhos todos na despedida.

4 comentários:

  1. Caro anónimo:

    Ai! Como eu gosto de anónimos. Não gostou do quê? Tem que ser mais sucinto e da próxima vez identificar-se. Isto é como as ervilhas, quem não gosta coloca na beira do prato. Os blogues funcionam desta forma, quem não gosta não lê!

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  2. Se calhar o anónimo é o 'sinhor' que levou o aperto de mão... lol
    Alex

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